2010/04/27

Green Eyes "Manda"... Miúdo Faz!


Para mim as salas de espera dos consultórios médicos e/ou centros de diagnóstico são sempre um "poço de surpresas", basta avaliarem pelos textos que já aqui escrevi sobre isso!

Desta vez foi no consultório do dentista, local onde estranhamente gosto de ir...

Então foi assim:

Green Eyes estava a ler (desta vez estava mesmo) um livro enquanto esperava quando foi despertada do seu mundo de fantasia (culpa do livro...) por uns gritinhos de nojo de algumas pessoas e risinhos de outras! Olhou e viu um miúdo de "dedo em riste" e com uma enorme catota na ponta do mesmo...
O miúdo perguntava às pessoas, apontando-lhes o dedo, quase enfiando-o na cara de algumas, onde deveria meter a catota!
Ora, se a uns lhes dava para rir; a outros, muito pelo contrário, provocava-lhes nojo...
A Mãe, sentada ao fundo da sala, dizia-lhe, sem grande convicção, para ir lá que lhe dava um lenço de papel, mas o miúdo estava a achar piada à brincadeira e continuava...
Para mal dos seus pecados, do miúdo obviamente, veio meter-se com Green Eyes:

- Olha que faxo à caca?

Green Eyes, que tem muito jeitinho para os miúdos, responde-lhe sorrindo:

- Come-a... anda lá... é muito saborosa... vai parecer-te chocolate!

E não é que o miúdo a enfia, à catota, na boca e diz:

- Mããeee é booommm!!!



O "jeitinho para os miúdos" não é brincadeira, tenho mesmo!

2010/04/26

Soletra-me Saudade!


Maria continua de olhar "cravado" no ecrã, as lágrimas toldam-lhe a visão! 
Passaram alguns minutos desde que António escreveu: 

- Sinto tanta dor, tanta tristeza por causa das saudades que tenho do teu sorriso :(

Maria não tem culpa, nunca lhe sorriu de forma diferente do que sorria para os outros, mas mesmo sabendo disso sente-se culpada!
Os seus dedos tocam levemente as teclas enquanto ela escreve:

- Soletra-me a palavra SAUDADE.

As letras surgem no ecrã enquanto a algumas centenas de km António as vai digitando:

- S de simpática;  A de amor; U de única; D de divina; A de alegria; D de desejo; E de esperança.

Maria sorri e responde:

- Se soletras saudade assim então não sentes dor... todas as palavras que usaste para a soletrar são palavras que nos trazem bem-estar!

- As palavras usadas para a soletrar são as que uso para te soletrar a ti :)
 Responde-lhe António.

Maria desliga, há respostas que não têm resposta...

Time to Say Goodbye - Alfred Gockel


Short Stories - Green Eyes

2010/04/24

Hoje Apeteceu-me Republicar Um Post...


"Lado a lado para lado nenhum..." 

Ela caminha, com passos lentos, de olhar perdido. 
Caminha cabisbaixa, não lhe apetece sorrir. 
Senão vir ninguém, ninguém a verá! Só precisa de chegar ao hotel. 
Se não olhar ninguém perceberá! 
Doem-lhe os pés! Esteve muitas horas “em cima” daqueles saltos! 
Enquanto caminha uma estranha sensação se apodera de si. Um arrepio “percorre-lhe a medula” e, de soslaio, olha para o lado! 
Uns “passos” caminham agora com ela. Lentos, encadeados nos seus. Tem a leve sensação que o seu dono os força a ser mais pequenos para a poder acompanhar. 
De soslaio, volta o olhar, levanta a cabeça ligeiramente numa vã tentativa de ver quem “consigo” caminha. Tentativa infrutífera, ele é muito alto. 
Inconscientemente demora os passos. 
Passa o hotel mas não pára, quer ver até onde ele irá. 
Pára em frente à montra de uma loja. Não sabe de que, não quer saber.
Os seus corpos estão reflectidos no espelho da montra. 
Os seus olhos encontram-se! 
Ela sabe que não é bonita, mas o olhar dele, por breves momentos, fá-la acreditar que sim, que é! Olham-se, por segundos, minutos, nem sabe…
Caminha de volta ao hotel, sempre com aqueles passos a acompanhá-la. 
Doem-lhe os pés! 
Num impulso tira as botas e caminha descalça. Ele tira os sapatos e caminha com ela! 
Pára junto à porta, hesita. Ele também. Entra, dirige-se aos elevadores e entra num deles. Ele também! 
Sorriem! As suas mãos “encontram-se” nos botões do elevador! Tocam-se, ligeiramente, quando carregam, os dois no mesmo número de andar. Um tremor percorre-lhe o corpo! Sente que pelo dele também. 
Em silêncio sobem. Ela enche-se de coragem e olha-o nos olhos, é neste momento que se arrepende de ter descalçado as botas… 
Não sorriem apenas se olham! 
O elevador pára, ela sai e ele também. 
Caminham, ainda, lado a lado para o mesmo lugar. Ela pára à porta do quarto e diz-lhe: 
- Acho que a nossa “história” termina aqui!
- Só porque tu queres! – Responde-lhe ele. 
Ela entra, fecha, a porta e ainda o ouve dizer: 
- Eu estou no número … 
Não lhe interessa. Não irá! 
Dorme mal. Não consegue dormir, aquela frase não lhe sai do pensamento – “só porque tu queres”. 
Na manhã seguinte quando faz o “check-out” o recepcionista, com ar cúmplice, entrega-lhe um envelope. 
O que lê “arranca-lhe” uma sonora gargalhada… 
“Obrigado por me teres proporcionado a melhor noite de insónia de toda a minha vida!!” Rui M. 

Afinal sempre “estiveram juntos”… 




Green Eyes Janeiro de 2009

2010/04/22

Nem Sei Bem Que Título Dar A "Isto"...


Lá estava eu a ler o meu livrinho, enquanto fazia aquela viagem (Lisboa-Porto) de comboio. 
De repente o rapaz que estava sentado no lugar ao lado do meu diz: 

– Então você é que é a Green Eyes (disse mesmo o meu nome)! 
Com ar de espanto, olhei para o rapaz pensando – como é possível ele conhecer-me?! – Não me parece que o conheça, eu não esqueceria um rosto destes…

– Sim, parece que sou mesmo eu! (respondi com um sorriso exagerado para disfarçar o nervosismo) 

– E trabalha no “XPTO”! (disse mesmo o nome do Organismo)

Aiiiii… ai, ai… será que é suposto eu o conhecer? 
Nããã… 
Não acredito… se me tivesse esquecido de que conhecia um rapaz assim era sinal de que estou mesmo muito mal… 
Hum… 
Ai, um arrepio de medo percorreu-me o corpo… será que é médium, ou qualquer coisa do género e consegue ler a mente, os pensamentos, das pessoas??!! 
Credo!! 
Será que “leu” os pensamentos que dispersavam na minha mente até à bem pouco tempo?!
Pois… o livrinho a maior parte do tempo serve para disfarçar os meus devaneios… 
Que vergonha…

A medo olhei para ele e arrisquei a pergunta: 

– Consegue adivinhar essas coisas, ou nós conhecemo-nos? 
(de tão envergonhada que estava sentia o rosto queimar, deixei de ver, de ouvir, até o simples inspira/expira me estava a custar coordenar… Aposto que naquele momento a cor do meu rosto era a felicidade de qualquer benfiquista de tão quente que o sentia…) 
O rapaz deu uma gargalhada (lindo… ainda me senti mais minúscula do que já sou…) e disse: 

– Nem uma coisa nem outra, simplesmente li o cartão de identificação que traz pregado no vestido! 

Que vergonha… além de andar a fazer figura de totó, de cartão de identificação ao peito qual animal doméstico, ainda fiz aquela pergunta idiota… 
 Valeu-me ele (e já agora eu também) ter sentido de humor!