2014/01/02

Beijo à Chuva!


A chuva, ainda que não muito intensa,
Cai de mansinho e sem parar
Os seus olhos encontram-se no meio da neblina
Quedam-se juntos num delicioso namorar
Debaixo do guarda-chuva
Ele estica o braço para a abraçar
Ela sorri-lhe e esquiva-se instintivamente
Deixando-se apenas ao de leve tocar
Não pretende fugir-lhe
São hábitos a que se deixou acostumar
Oferece-lhe o corpo
Numa tentativa de se desculpar
Ele sorri-lhe, sorriso compreensivo
De quem aprendeu a perceber
Que as suas atitudes fugidias
São gestos inconscientes de se proteger
Num gesto suave,
Mão aberta, braço estendido
Acaricia-lhe o rosto
Ela sorri-lhe, sorriso atrevido
Vemo-nos em Nova Iorque?
Pergunta-lhe ele, olhos a brilhar
Quem sabe um dia desses
Responde-lhe ela desviando o olhar
Até um dia… talvez
Diz-lhe ela num breve sussurrar
Até sempre
Responde-lhe ele, procurando o seu olhar
Sem que ela saiba como
Os seus lábios encontram-se inesperadamente
Todas as suas artimanhas de esquiva
Dissiparam-se deliciosamente
Durante breves momentos
Seus lábios deixam-se deslizar
Suas bocas abrem-se lentamente
Com vontade de se provar
O guarda-chuva cai
Os seus corpos enlaçam-se suavemente
A chuva molha-lhes os rostos
Mistura-se-lhes com a saliva eternamente…