2013/10/10

Não! A Rosa Não!

Ele insistiu em ir buscá-la à estação de comboios e levá-la a casa. Ela regressava de uns dias em Lisboa e ele ofereceu-se (quase implorou) para a ir buscar à estação de Vila Nova de Gaia e levá-la a casa. Nem os argumentos dela de que era ridículo ele vir de Aveiro apenas para a levar numa viagem que quase poderia fazer a pé, afinal eram cerca de 10 minutos de carro, o fizeram demover-se da sua ideia.
Ela chegou, cansada, meio enjoada e sem vontade de conviver, saiu do comboio e depois de uma longa espera para atravessar a linha viu-o ao longe. Sorridente, ar de surfista, um garoto para quem as miúdas olhavam quando por ele passavam. De repente ela repara que ele tem uma rosa vermelha na mão e sorri enquanto se dirige para ela. 
Ela resmunga baixinho - Miguel! Esconde a rosa... a rosa não... guarda essa merda... 
Ele sorri e responde - É para ti amor... 
Ela - Guarda a rosa! E vai chamar amor ao teu avô...
Os que por eles passavam abanam a cabeça com ar de desaprovação, deitando-lhe olhares reprovadores que ela vai ignorando... Não sabem que ela não lhe é nada, que não quer nada, que lhe prometeu apenas mais um café...
Que mania que eles têm de ser românticos quando não é preciso...