2013/07/05

Anda cá à minha teia que eu...


Não te faço mal!

Era uma vez uma aranha, uma aranha vistosa. Seu corpo negro, aparentemente frágil, brilhava e resplandecia de cada vez que ela se movia, suas pernas se deslocavam com tal delicadeza que parecia que não tocavam o chão.
A nossa amiga aranha fez uma teia que, apesar de pequena, brilhava no escuro. Entrelaçou seus fios de seda de tal modo e com tal graça que todos os outros araneídeos que por ali passavam se contorciam e espumavam de inveja. Era ali o seu refúgio, o local onde se deixava estar a viver seus pensamentos, onde gostava de estar sozinha!
Ora a nossa amiga aranha um dia enquanto descansava na sua teia sentiu-se importunada por um ser voador que por ali passava... a vespa!
- Que bela que és, que bela teia que tens, sabes que estou aqui estou a picar-te essas belas pernas? - disse-lhe a vespa.
- É melhor ires-te embora, não me apetece brincadeira... - retorquiu-lhe a aranha.
- Ui... tens de olhar bem para mim... já viste como sou um ser brilhante? Nenhum ser em seu perfeito juízo me resiste! - insistiu a vespa.
- Ah, deve ser isso, eu nunca estou no meu perfeito juízo, podes ir andando! - resmungou a nossa amiga aranha.
Tanto insistiu a vespa, tantas horas ali andou a zumbir que a aranha perdeu a paciência! Ora, quando a nossa amiga aranha perde a paciência, contrariamente a outros seres, uma calma, uma tranquilidade, uma serenidade extrema cai sobre ela. Com um brilho encantador em seus hipnotizadores olhos a aranha sussurra muito calmamente para a vespa - Vem cá, vem ver-me de mais perto, vem sentir meu cheiro, acariciar minhas pernas e quem sabe eu te deixo ferrar-me...
A vespa zumbiu mais alto, rodopiou e em voo veloz dirige-se à aranha. - Vou-te picar parvalhona! - cicia enquanto se dirige rapidamente para a aranha.
De repente a aranha atira um fio de sua seda, que se enrola na vespa fazendo-a cair em sua teia! A vespa debate-se em pânico tentando libertar-se, quanto mais se tenta libertar mais os fios de seda a prendem...
Sorrindo a nossa amiga aranha dirige-se à vespa e sussurra-lhe com carinho - Vou libertar-te, vou levar-te para bem longe e só depois lá chegando te corto os fios de minha seda, mas que te sirva de lição... se te disse para ires é porque não te queria aqui! Nem tudo o que te parece tonto o será!

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