2011/05/02

Porque Choras?

Apetecia-lhe chorar!
Não tinha nem via uma razão aceitável para o fazer, mas apetecia-lhe!
Sentia uma daquelas sensações estranhas, daquelas em que quase consegue ver o aperto no seu peito!
A imagem que lhe vinha à mente era a do coração a querer bater e uma corda em volta dele prendendo-o, sufocando-o, estrangulando-o…
De tal intensidade era a sensação que além de tudo isto conseguir visualizar quase poderia afirmar que ouvia o coração clamar por compaixão!
Sentia-o gritar para que o deixassem bater… para que a mão invisível que lhe apertava, cada vez mais, a corda em volta dele o deixasse libertar-se!
Não podia continuar ali, tinha de sair, tinha de deixar aqueles rostos, aparentemente sorridentes, mas que se tornavam disformes à medida que ela os observava!
- Já volto! – Resmungou baixinho para alguém que estava a seu lado.
Em passos apressados dirigiu-se para a beira-rio, para aquele cantinho a que ninguém vai, aquele onde sabe que estará só fisicamente, mas acompanhada de tudo!
Lá o coração conseguirá quebrar a corda e voar!
(…)
Apenas alguns minutos se passaram quando sente uns passos, pequeninos, a vir em sua direcção. Um olhar fugaz mostra-lhe que uma criança do sexo feminino se dirige a ela… logo agora que se sentia a acalmar!
- Porque choras? – Questionou-a a menina.
- Por nada de especial! – Retorquiu-lhe com voz envergonhada e maldizendo-se por não ter disfarçado as lágrimas.
- Magoaste-te? – Perguntou a menina aproximando-se um pouco mais.
- Não, acho que não… não é nada… - Abana a cabeça na tentativa de secar as lágrimas.
- Bateram-te? – Insistiu a pequena.
- Não minha querida, deve ser do vento! – Respondeu ela sorrindo para a catraia.
- Sabes quando eu choro por causa do vento a Mãe dá-me um abraço, queres um? – Perguntou-lhe a miúda dirigindo-se a ela de braços abertos e sem esperar resposta. Abraçou-a! Ela não conseguiu segurar as lágrimas, aquele gesto comoveu-a de tal modo que tudo o que conseguiu fazer foi chorar! A menina dava-lhe pequenas pancadinhas nas costas e dizia-lhe em tom apaziguador – Pronto, vai passar!
Alguns segundos, minutos depois parou de chorar, olhou a menina e disse-lhe – Já passou!
(…)
Depois que a miúda se foi embora, não sabe bem como, quando nem por onde (a forma enigmática como apareceu a seu lado foi a mesma que a fez desaparecer) ela sentiu o seu coração libertar-se… aquela maldita sensação tinha-se esvaído…
Já podia voltar o enfrentar o Mundo!
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