2011/05/19

Carta ao meu Amor!


Rio da saudade, ano de 2050.

Meu doce amor,

hoje acordei com saudades tuas, com saudades de nós daquilo que nunca vivemos! 
Senti tantas saudades de estar contigo como nunca estive.
Estar sentada aqui neste nosso rio contigo a meu lado.
Enrolar as tuas mãos nas minhas. 
Tantas foram as saudades que senti os teus dedos nos meus.
Ficamos horas a brincar com os nossos dedos entrelaçados uns nos outros. 
Acariciavas-me os meus dedos e o dorso da mão com os teus polegares, os mesmo que já senti passarem em meu rosto, depois beijava-los levemente, muito ao de leve como se de um sopro se tratasse, lembrei-me que já senti os teus lábios assim em meu rosto. 
A intensidade do que senti foi tão forte que dei por mim a olhar as minhas mãos vazias de ti e cheias da ilusão das marcas dos teus dedos. 
Como? Como é possível isto acontecer? 
Como posso eu viver-te se nunca te tive? 
Como posso eu querer-te se nunca te quis? 
Como posso eu pensar-te se nunca te imaginei? 
Tantas saudades… tantas dúvidas… um emaranhado de sentimentos me invade mas uma certeza eu tenho…
Hoje senti saudades do que nunca vivi...

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