2010/12/02

Amo-Te... Sempre Te Amei!

Ana está nervosa, hoje é o 1º dia de aulas, o seu 1º dia de aulas!
Ana tem 22 anos é recém licenciada e hoje enfrentará pela 1ª vez uma turma! Sente-se ainda mais nervosa porque sabe que será uma turma de apenas rapazes. Não sabe bem explicar porquê mas sente-se nervosa com toda esta situação! Rapazes e aulas práticas de informática parecem-lhe dois elementos capazes de serem difíceis de gerir, mas no fundo sente que não é isso que a está a preocupar!
Quando a campainha soa já ela se encontra na sala de aulas! Optou por ir mais cedo para evitar ter de enfrentar os alunos aguardando-a à porta!
Começam a entrar os miúdos, num rápido olhar pela pauta constata que têm todos entre 16 e 18 anos. Entre um bom-dia profª, um sorriso e outro lá vão entrando, mais ou menos de forma ordeira!
De repente o seu olhar prende-se num outro olhar... num olhar que se fixa no seu... uns olhos negros envolvem os seus de tal modo que se sente estremer... sente o seu coração bater mais forte...
(...)
Com o passar dos dias os seus olhares vão-se intensificando, as mãos vão-se encontrando, todas as desculpas servem para que ela se aproxime dele. Desculpas de parte a parte... o sentimento é recíproco!
O tempo passa e cada vez mais ela se sente num redemoinho... num turbilhão de sentimentos... sente que o ama, mas sabe que não o pode amar... ele tem apenas 16 anos!
Tudo seria tão mais fácil se ele não a amasse, mas ele insiste que sim, que a ama!
São as rosas que lhe deixa sobre a secretária, sem ninguém dar por isso! Os bilhetes que lhe escreve e que sorrateiramente lhe enfia nos bolsos, na pasta! 
Sente-se tão bem e ao mesmo tempo tão culpada... 
Vale-lhe o facto de não ser ela a profª responsável pelas notas, nesta turma é o colega que o terá de fazer... não conseguiria ser imparcial... 
Nunca com o Miguel!
(...)
O ano lectivo termina e Ana evita a todo custo as investidas de Miguel!
De olhar emocionado olha mais uma vez para o bilhete que ele lhe deixou na secretária!
Diz que a ama e pede-lhe que lhe escreva...
Ana chora! Olha mais uma vez o mar e chora! 
Apenas o quer esquecer... e mais ainda quer que ele a esqueça... no fundo sabe que ele o conseguirá, afinal é tão miúdo...
(...)
Ana dirige-se mais uma vez à construtora, será que é desta que o tal do arquitecto a vai atender? 
Quando lá chega um rapaz sorridente diz-lhe que sim, que o colega hoje está!
Enquanto espera olha algumas maquetas virando-se de costas para a sala! 
De repente ouve uma voz que a faz estremecer! 
Miguel?! Não é possível, é apenas um timbre parecido, afinal já se passaram 10 anos!
Vira-se sorridente e encontra aquele olhar... o seu olhar... depois de tanto tempo o seu olhar prende-se no dela... estremece! O coração bate mais forte!
Ana?! - pergunta-lhe ele sorridente!
Miguel?!
Sorriem!
(...)
São dez da manhã dum sábado, Ana enrosca-se em Miguel, abraça-o!  Olha-o nos olhos, naqueles olhos negros que ela tanto adora!
Miguel sorri-lhe, abraça-a, beija-a e pela enésima vez diz-lhe:

- Amo-te! Sempre te amei!
Short Stories
Green Eyes


(Para a Docinho de Coco [que pediu] e para todos aqueles que gostam de histórias com finais felizes... a mim custou-me imenso fazer um final destes...)