2010/04/24

Hoje Apeteceu-me Republicar Um Post...


"Lado a lado para lado nenhum..." 

Ela caminha, com passos lentos, de olhar perdido. 
Caminha cabisbaixa, não lhe apetece sorrir. 
Senão vir ninguém, ninguém a verá! Só precisa de chegar ao hotel. 
Se não olhar ninguém perceberá! 
Doem-lhe os pés! Esteve muitas horas “em cima” daqueles saltos! 
Enquanto caminha uma estranha sensação se apodera de si. Um arrepio “percorre-lhe a medula” e, de soslaio, olha para o lado! 
Uns “passos” caminham agora com ela. Lentos, encadeados nos seus. Tem a leve sensação que o seu dono os força a ser mais pequenos para a poder acompanhar. 
De soslaio, volta o olhar, levanta a cabeça ligeiramente numa vã tentativa de ver quem “consigo” caminha. Tentativa infrutífera, ele é muito alto. 
Inconscientemente demora os passos. 
Passa o hotel mas não pára, quer ver até onde ele irá. 
Pára em frente à montra de uma loja. Não sabe de que, não quer saber.
Os seus corpos estão reflectidos no espelho da montra. 
Os seus olhos encontram-se! 
Ela sabe que não é bonita, mas o olhar dele, por breves momentos, fá-la acreditar que sim, que é! Olham-se, por segundos, minutos, nem sabe…
Caminha de volta ao hotel, sempre com aqueles passos a acompanhá-la. 
Doem-lhe os pés! 
Num impulso tira as botas e caminha descalça. Ele tira os sapatos e caminha com ela! 
Pára junto à porta, hesita. Ele também. Entra, dirige-se aos elevadores e entra num deles. Ele também! 
Sorriem! As suas mãos “encontram-se” nos botões do elevador! Tocam-se, ligeiramente, quando carregam, os dois no mesmo número de andar. Um tremor percorre-lhe o corpo! Sente que pelo dele também. 
Em silêncio sobem. Ela enche-se de coragem e olha-o nos olhos, é neste momento que se arrepende de ter descalçado as botas… 
Não sorriem apenas se olham! 
O elevador pára, ela sai e ele também. 
Caminham, ainda, lado a lado para o mesmo lugar. Ela pára à porta do quarto e diz-lhe: 
- Acho que a nossa “história” termina aqui!
- Só porque tu queres! – Responde-lhe ele. 
Ela entra, fecha, a porta e ainda o ouve dizer: 
- Eu estou no número … 
Não lhe interessa. Não irá! 
Dorme mal. Não consegue dormir, aquela frase não lhe sai do pensamento – “só porque tu queres”. 
Na manhã seguinte quando faz o “check-out” o recepcionista, com ar cúmplice, entrega-lhe um envelope. 
O que lê “arranca-lhe” uma sonora gargalhada… 
“Obrigado por me teres proporcionado a melhor noite de insónia de toda a minha vida!!” Rui M. 

Afinal sempre “estiveram juntos”… 




Green Eyes Janeiro de 2009