2009/09/16

Caminhando À Chuva!





Saio de casa um sol, meio envergonhado é certo, mas ainda assim um sol acolhedor.
Quando chego ao meu destino, não o final apenas o de hoje, o sol estava radioso, nada fazia prever a chuva que aí viria!
Lá fui eu para uma reunião e, passadas duas horas, quando saí uma chuvinha miudinha começava a “dar um ar da sua graça”!
Como não era nada de especial resolvi ir na mesma até ao carro que estava estacionado um pouco longe dali.
Enquanto caminho os meus pensamentos “atropelam-se” na tentativa de se evidenciarem, todos querem a minha atenção. 
De repente, a meio do caminho, a chuva miudinha dá lugar a uma mais forte. As pessoas apressam-se a se proteger dela. Enfiam-se debaixo dos toldos das lojas, nas soleiras das portas, nos cafés, nas lojas e até nas paragens de autocarro.
Eu, numa tentativa desesperada que a chuva me pudesse levar todos aqueles pensamentos, as dúvidas, as angústias, as ânsias, que me assolavam desde há algum tempo, deixo-me continuar à chuva! As pessoas olham para mim com ar inquiridor. Quererão elas saber porque não me resguardo, ou pensam, apenas, que sou mais uma louca que caminha à chuva?
Não me importo! Não quero saber das gotas de água que sobre mim caem!
Tiro os óculos, estão cheios de gotas de água o que me incomoda. Prefiro não os ver, a eles, àqueles cujos rostos me inquirem. Sem os óculos continuo a vê-los mas de forma diferente. Os seus rostos são agora “massas disformes”, indistintos!
Continuo à chuva!
Quando chego ao carro entro, sento-me e encosto a cabeça no banco. Deixo os pensamentos correrem, quero perceber se se foram, se mudaram!
Nada! Vã tentativa, tudo igual! Continuam em turbilhão!

Bem tudo igual não é bem assim, há coisas que estão diferentes… o meu cabelo, as minhas roupas e a maquilhagem que ficaram com um “ar deslavado”!